Chamada para submissão de capítulos – Livro:
Livro: Encruzilhadas Culturais: trabalho, redistribuição e o combate às desigualdades econômico-raciais - Vol. 3 – Prazo para envio: 30 de dezembro de 2026
Como se estruturam, no Brasil contemporâneo, as desigualdades econômico-raciais que atravessam o trabalho, a renda, o acesso a direitos e as condições materiais de existência da população negra? De que modo o racismo organiza o mercado de trabalho, define quem trabalha mais, quem recebe menos, quem adoece, quem morre e quem acumula? E como pensar justiça social quando raça e classe não operam separadamente, mas de forma imbricada, histórica e estrutural estabelecendo as relações de trabalho?
Dando continuidade à coleção Encruzilhadas Culturais, este terceiro volume se propõe a aprofundar o debate inaugurado nos volumes anteriores, deslocando o foco para as relações entre economia, trabalho, redistribuição e racismo estrutural, compreendendo que as violações de direitos humanos e os processos de adoecimento psíquico analisados no Volume 2 não podem ser dissociados das condições materiais de vida, da exploração do trabalho e da desigual distribuição de recursos, reconhecimento e poder.
Partimos do entendimento de que o passado colonial não é passado, mas uma estrutura viva que organiza o capitalismo periférico, tardio, racializado e dependente. A escravidão e o pós-abolição sem reparação inscrevem-se em continuidades históricas que se atualizam na informalidade crônica, no desemprego estrutural, no subemprego, na precarização e no ataque, frequentemente disfarçado de flexibilização, aos direitos trabalhistas. A chamada uberização do trabalho, os recorrentes casos de trabalho escravo contemporâneo em vinícolas, fazendas cafeicultoras, confecções de roupas, obras de infraestrutura nas capitais e nos rincões do país, a ideologia do pseudoempreendedorismo e a erosão sistemática das proteções sociais compõem um mesmo arranjo histórico que converte corpos negros em força de trabalho permanentemente vulnerável, excedente ou explorável até o limite. Nesse cenário, a necropolítica opera como dispositivo complementar de gestão de um Estado que naturaliza a racialização da pobreza e trata a produção, o controle, o descarte e a morte como formas legítimas de organização capitalista e exclusão social.
Inspirado por tradições marxistas, antirracistas e decoloniais, o volume dialoga com autoras e autores que pensam a justiça social a partir da articulação entre redistribuição, reconhecimento e representação, como Lélia Gonzalez, Clóvis Moura, Abdias do Nascimento, Frantz Fanon, Sueli Carneiro, Angela Davis, Achille Mbembe, Patricia Hill Collins, Marcelo Paixão, Nancy Fraser, entre outros. O objetivo é reunir análises que compreendam o racismo como tecnologia estatal de gestão do trabalho, da pobreza e da desigualdade no capitalismo racial.
O Grupo de Estudos Críticos para as Relações Étnico-Raciais (GECRE/CEFET-MG/CNPq) convida pesquisadoras e pesquisadores, docentes, estudantes, militantes, profissionais de diferentes áreas e trabalhadores a enviarem capítulos inéditos para compor este volume da coletânea.
Serão bem-vindos textos que abordem os seguintes eixos temáticos:
1. Racismo estrutural, capitalismo racial e organização do trabalho no Brasil
2. Desigualdades econômico-raciais, renda, pobreza e exclusão social
3. Mercado de trabalho, precarização, informalidade e racialização das ocupações
4. Políticas de redistribuição, justiça social e enfrentamento das desigualdades raciais
5. Classe, raça e gênero nas relações econômico-raciais
6. Trabalho escravo, tráfico humano, superexploração e continuidades coloniais
7. Adoecimento físico e psíquico e exploração racializada
8. Epistemologias negras, saberes populares e críticas à economia política hegemônica
9. Movimentos sociais, sindicalismo, economia solidária e formas de resistência negra
Além dos artigos teóricos e empíricos, o volume também acolherá relatos de experiência, desde que dialoguem criticamente com um ou mais dos eixos propostos, incluindo experiências em educação, trabalho comunitário, pesquisas no Campo de Públicas, movimentos sociais, coletivos negros, economia popular e práticas de enfrentamento às desigualdades econômico-raciais.
Encruzilhadas Culturais – Volume 3 reafirma o compromisso da coleção com uma produção de conhecimento crítica, situada e comprometida com a transformação social, entendendo que não há justiça racial sem justiça econômica, nem redistribuição real sem o enfrentamento radical do racismo que estrutura o mundo do trabalho.
Além de textos em língua portuguesa, a coletânea aceitará submissões em espanhol e em inglês, como forma de ampliar o diálogo internacional, fortalecer redes de pesquisa no eixo Sul–Sul e incorporar perspectivas comparadas sobre trabalho, economia política e desigualdades raciais em contextos latino-americanos e diaspóricos. A abertura a diferentes idiomas reafirma o compromisso da coleção com uma produção de conhecimento plural, transnacional e comprometida com a circulação crítica de saberes para além das fronteiras nacionais.
Requisitos para submissão:
Textos inéditos - máximo 3 autores
Fonte: Times New Roman, tamanho 12
Espaçamento 1,5 / texto justificado
Resumo em português (até 200 palavras)
5 palavras-chave
Referências conforme normas da ABNT 2024
Envio via formulário
A publicação será digital, com acesso livre e gratuito. Uma versão impressa será produzida posteriormente com requisitos específicos e com tiragem em edição limitada.
Contamos com a sua participação para construir um livro que seja território de denúncia, cuidado e reconstrução.
Que possamos ecoar vozes e transformar palavras em ações transformadoras.
Axé, memória e resistência.
Prof. Dr. Seu João Xavier